Expedição Equador 2026

Relato de viagem

Em agosto de 2026 realizamos nossa primeira expedição fotográfica pelo Equador, em uma travessia de 10 dias entre vulcões nevados, Páramos de altitude, florestas nubladas e comunidades andinas que resistem no alto da cordilheira.

Começamos falando do elefante — ou melhor, do urso — na sala. O urso-andino era o grande “astro” da viagem, e nós o encontramos. Várias vezes, inclusive. Mas sempre de uma distância considerável, encostas acima, longe de render as imagens que sonhávamos. Assim é a natureza e devemos sempre respeitar suas decisões, mas aqui vai o aprendizado mais bonito da expedição: o urso acabou ficando em segundo plano não por frustração, mas porque o Equador nos entregou tanta coisa no caminho que a lista de prioridades se reorganizou sozinha, dia após dia. 

Nossos primeiros dias foram nas reservas de Chakana e Antisana, a leste dos Andes, onde subimos até as bordas dos cânions em busca dos condores-andinos. E eles vieram. Rasantes bem próximos, cruzando o vazio entre as paredes de rocha com aquela envergadura absurda passando quase na altura dos olhos — uma daquelas situações em que o grupo inteiro para de respirar e só se ouve o som dos obturadores. Ali também fotografamos o famoso Estrela-equatoriana, o beija-flor de altitude – só ocorre entre 3.500 e 5.200m! –  e nos rendemos à paisagem do páramo: um ecossistema de vegetação rasteira, luz dura e horizontes gigantes que impressiona muito mais do que as fotos conseguem sugerir.

Os beija-flores, aliás, viraram um personagem recorrente da viagem. Foram dezenas de espécies diferentes registradas, tanto nos páramos quanto depois na floresta nublada — e cada ambiente com sua própria paleta e seu próprio comportamento. Para quem gosta de fotografia de vida selvagem, foi uma aula prática gigantesca de paciência, velocidade de obturador e leitura de luz.

Da altitude seca dos Páramos descemos para a umidade e a névoa da floresta nublada, e o cenário mudou completamente. Ficamos hospedados em um lodge encravado na altura da copa das árvores, dentro da floresta, na região do Mindo, e foi de lá que veio um dos momentos mais improváveis da expedição: o avistamento do raríssimo olinguito — pequeno mamífero descrito pela ciência há pouco mais de dez anos — e também do jupará, ambos surgindo na calada da noite entre as copas. Poucos fotógrafos no mundo têm essas imagens. De dia, a floresta nublada nos entregou praticamente toda a lista dos clássicos da região de Mindo e do vale de Tandayapa. O endêmico tucano-andino-de-bico-laminado , o capitão-tucano, outra endêmica e provavelmente a ave mais absurdamente colorida da viagem; o lindíssimo surucuá-mascarado, a gralha-turquesa e o fenomenal galo-da-serra andino, parecido com o nosso galo-da-serra amazônico mas com diferenças de cor no corpo. 

Seguimos enfim para a segunda parte da expedição, mais focada na paisagem e menos na vida selvagem. Nossa primeira parada foi à beira do Quilotoa, um enorme vulcão extinto cuja cratera foi inundada por um lago de água turquesa. Mesmo vendo mil fotos na internet, você chega lá despreparado para tanta beleza. Ali fizemos por do Sol, um pouco de astro e também um nascer do Sol de cinema. Foi também nessa região que fizemos um dos trabalhos mais significativos da viagem: os retratos dos remanescentes quíchuas, no povoado de Zumbahua, na cidade de Pujilí e ao longo das estradas de terra que cortam o altiplano. Rostos marcados pelo frio e pela altitude, chapéus, ponchos, feiras, rotina. Fotografia de gente feita com tempo, sorriso no rosto e muito respeito. 

Do Quilotoa fomos para o Parque Nacional Cotopaxi, e tivemos o privilégio de dormir dentro do parque, aos pés do vulcão ativo mais alto do mundo. Isso mudou tudo: significou estar em posição nas horas em que ninguém mais está. À noite, montamos os tripés sob um céu de altitude e fizemos sessões de astrofotografia com o cone nevado do Cotopaxi recortado contra as estrelas — uma daquelas noites que justificam sozinhas uma viagem inteira! 

Encerramos em Quito, caminhando pelo centro histórico — Patrimônio Mundial da UNESCO —, entre ruas de paralelepípedo, praças coloniais e igrejas barrocas, fechando a expedição com fotografia urbana e documental depois de tantos dias de natureza bruta.

Foram dias atravessando essa país andino, com um grupo especial de fotógrafos que encarou madrugadas geladas, altitude, neblina e um dia de chuva com bom humor, do primeiro ao último dia; nosso agradecimento enorme a cada um deles! E também à nossa equipe local que fez com que a expedição fosse um verdadeiro sucesso. O Equador é um país pequeno no mapa e imenso na diversidade — e já está claro para nós que voltaremos.

Veja abaixo algumas fotos que produzimos por lá!

Fotos

Depoimentos de quem foi

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