Gávea Expedições https://gaveaexpedicoes.com.br Inspirar • Educar • Transformar Thu, 19 Feb 2026 03:00:23 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://gaveaexpedicoes.com.br/wp-content/uploads/2025/05/logo-ge-site-favicon2-150x150.png Gávea Expedições https://gaveaexpedicoes.com.br 32 32 HD para expedições fotográficas https://gaveaexpedicoes.com.br/blog/hd-para-expedicoes-fotograficas/ Sun, 04 Jan 2026 01:21:00 +0000 https://gaveaexpedicoes.com.br/?p=4691

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HD para expedições fotográficas

O que realmente funciona em campo!

Fala pessoal tudo bom! 

Quando você está em uma expedição fotográfica, a produção de imagens é constante e dezenas, senão centenas dessas imagens jamais se repetirão novamente. Por isso, fazer um backup durante a viagem é uma forma inteligente de salvar a sua produção de um desastre, como a perda de um cartão de memória por exemplo. Um HD deixa de ser acessório e passa a ser parte da sua segurança de trabalho.

É claro que eu não estou recomendando aqui que você leve seu HD com suas preciosas fotos para uma expedição fotográfica! A ideia é ter um HD extra, apenas para uso nessas ocasiões, onde você possa armazenar temporariamente suas fotos durante a viagem. Dessa forma, ao chegar em casa, você poderá descarregar as fotos no seu HD “principal”, sempre mantendo uma cópia das fotos nos cartões de memória, até que todas estejam seguras no seu ambiente de trabalho. 

Abaixo vai um guia direto ao ponto sobre quais tipos de HD portátil fazem mais sentido em expedições e quais modelos hoje são os mais indicados para esse uso.

Esqueça HD mecânico. Prefira SSD portátil

Para expedição fotográfica, a principal recomendação é clara:

SSD portátil é muito mais indicado do que HD tradicional (com disco interno).

Quem é mais antigo, da era do início da informática, sabe que um HD de disco funciona como um disco de vinil; uma agulha gira sobre um disco de metal e lê as informações. Essa agulha representa uma parte móvel do HD, que pode se desprender em um impacto ou vibração mais forte por exemplo. Por isso os HDs de disco são indicados quando são utilizados estáticos, em uma mesa de trabalho – todos os meus 5 HDs “grandes” que somam 40TB, são de disco, e tá tudo bem. Porém, em viagens, especialmente expedições fotográficas, quando muito do deslocamento se dá em estradas off-road, barcos, trilhas e etc, a vulnerabilidade do HD de disco se mostra muito grande nessas situações e ele poderá sofrer um dano, destruindo sua estratégia de backup. Além disso, normalmente um HD de disco precisa de 2 fios; um para conectar ao laptop, e outro para conectá-lo a tomada, pois demandam muita energia para funcionar. Dessa forma você não consegue editar suas fotos em um barco por exemplo, um trem, ou mesmo um aeroporto, sem ficar próximo a uma tomada comum. 

Já os HDs feitos de SSD (memória sólida) são diferentes:

  • não possuem partes móveis

  • resistem muito melhor a impacto, vibração e transporte

  • são muito mais rápidos para descarregar cartões

  • consomem menos energia

  • esquentam menos

Por esses motivos, o HD SSD é a escolha ideal para uma expedição fotográfica, mesmo que custem mais caros do que os HDs convencionais de disco.

O que realmente importa ao escolher um SSD para expedição

1. Resistência física

HDs são equipamentos eletrônicos muito frágeis, por isso procure modelos com proteção contra impacto (tem vários) e algum nível de vedação contra poeira e respingos. Não é porque você vá jogar água nele — é porque poeira, areia e umidade são rotina em campo.

2. Conector USB-C e bom desempenho real

Na prática, você quer um HD que se conecte via USB-C (aquela USB menor) e com leitura e gravação, no mínimo, acima de 800MB/s., o que já reduz drasticamente o tempo de descarregamento dos cartões no fim do dia. Vamos lembrar que já existem cartões de memória (XQD e CF Express) com leitura e gravação acima dos 1.500MB/s. 

3. Tamanho e peso

Em expedições fotográficas, cada cabo e cada volume contam. SSD portátil compacto facilita transporte, organização e manuseio noturno.

4. Confiabilidade da marca

Não se economiza em HD de marcas desconhecidas. Lembre-se que lá dentro estarão as suas melhores fotos, toda a sua produção fotográfica de uma expedição. 

Modelos que funcionam muito bem em expedições fotográficas

Hoje, alguns dos SSDs mais usados por fotógrafos em expedições fotográficas são os modelos indicados abaixo. Geralmente bem leves e compactos – menores do que um celular por exemplo, eles não pesam na mochila e tem capacidade de 1TB a incríveis 8TB:

SanDisk Extreme Portable SSD

Marca: SanDisk
Modelos:
1 TB, 800 mb/s (ver na Amazon Brasil)
1 TB, 1050 mb/s (ver na Amazon Brasil)
2 TB, 800 mb/s (ver na Amazon Brasil)
2 TB, 1050 mb/s (ver na Amazon Brasil)
4 TB, 1050 mb/s (ver na Amazon Brasil)
8 TB, 1050 mb/s (ver na Amazon Brasil)

Leves, compactos e resistentes. É um dos modelos mais equilibrados para quem viaja muito. Eu mesmo tenho um de 1TB que me acompanha há anos, é bastante confiável. A reclamar, apenas do cabo USB-C dele, que eu acho muito curto, e com isso as vezes fica difícil usá-lo conectado ao laptop em superfícies como a cama de um hotel por exemplo, correndo o risco dele desconectar. 
Além dos modelos citados acima, a Sandisk tem uma linha Extreme PRO, com modelos de 1, 2 ou 4TB, e leitura na casa dos 2.000 mb/s. 

Lexar SL500 Portable SSD

Marca: Lexar
Modelos:
1 TB, 2.000 mb/s (ver na Amazon Brasil)
2 TB, 2.000 mb/s (ver na Amazon Brasil)
4 TB, 2.000 mb/s (ver na Amazon Brasil)

Um dos SSDs portáteis mais rápidos nesse segmento, com leitura de até ~2000 MB/s e escrita de até ~1800 MB/s, graças à interface USB 3.2 Gen 2×2. Ele é compatível com Windows, macOS, iOS e Android e tem construção em metal mais durável, com classificação IP54 para proteção contra poeira e respingos. Eu tenho um modelo desses, ele é ainda mais leve do que o Sandisk, mas não me parece tão resistente a quedas por exemplo, do que o concorrente citado. Por outro lado a Lexar tem a linha ARMOR 700 desse mesmo HD, esses sim mais robustos e com resistência à água e poeira. 

Samsung T7 Shield

Marca: Samsung
Modelos:
1 TB, 1.050 mb/s (ver na Amazon Brasil)
2 TB, 1.050 mb/s (ver na Amazon Brasil)
4 TB, 1.050 mb/s Titan (ver na Amazon Brasil)

Este modelo é conhecido por boa dissipação térmica e estabilidade, com desempenho sólido para transferência de grandes volumes. Com seu exterior emborrachado, a proteção contra impactos faz dele uma escolha muito confiável para trabalho de campo.

LaCie Rugged SSD4

Marca: LaCie
Modelos:
Rugged SSD4: 1TB, 2TB, 4TB, 4.000 mb/s (ver no site da Seagate Brasil)
Rugged Mini SSD: 500gb, 1TB, 2TB, 4TB, 2.000 mb/s (ver no site da Seagate Brasil)
Rugged SSD Pro: 1TB, 2TB, 4TB, 2.800mb/s (ver no site da Seagate Brasil)

 

A Lacie é uma das marcas mais respeitadas quando se fala de HD, (é uma marca premium da Seagate) especialmente para computadores Apple. Este modelo deles de Hd externo SSD é bem antigo e foi atualizado, porém ele é fisicamente maior do que os outros HDs apresentados aqui. ATENÇÃO ao pesquisar para comprar, pois existem modelos mais antigos à venda (e fisicamente iguais!) que são de disco, e não SSD. 

Voltado especificamente para uso outdoor, com corpo reforçado com uma estrutura de borracha e resistência física acima da média, este SSD é uma opção clássica entre fotógrafos que viajam com frequência. Como vantagem, sua velocidade de leitura e gravação é bem superior aos demais, batendo os 4.000 mb/s. Além da linha tradicional, eles tem um modelo MINI, que é menor e mais lenta (ainda assim, 2.000 mb/s) e o modelo PRO, que também é fisicamente menor, mas alcança velocidades de 2.800mb/s e promete tolerância de queda de 3 metros, resistência a esmagamento por carro de duas toneladas, e resistência à agua e poeira com classificação IP67.

Quantos HDs levar para uma expedição?

Normalmente, quando falamos de BACKUP, é preciso 2 cópias para sua segurança. O que eu faço nas viagens é manter as fotos no cartão de memória, enquanto a expdição se desenrola, e vou salvando diariamente uma cópia delas no HD externo, usando o laptop. Dessa forma, tenho sempre 2 cópias, uma no cartão de memória e outra no HD.

E quantos terabytes preciso para uma expedição fotográfica?

Essa pergunta é ótima e influencia diretamente na compra do seu HD. Em linhas gerais, expedições exclusivamente de fotografia de paisagem e astrofotografia consomem menos cliques, pois cada foto é pensada, enquadrada, feita uma a uma. Já expedições mais dinâmicas, como vida selvagem ou documental, clica-se muito mais, e o uso de um HD um pouco maior pode se fazer necessário. Tudo depende do “dedo nervoso” do fotógrafo e também de quantos megapixels tem a câmera dele, pois quanto mais megapixels, maior é o peso das fotos no armazenamento. Outra coisa que influencia no gasto de espaço é se o fotógrafo também faz videos na expedição, pois videos consomem muito mais espaço.

Eu particularmente nunca “estourei” um hd de 1TB em uma expedição, mas já cheguei perto disso em viagens fotográficas para gerar conteúdo para o Youtube, com muita foto e video sendo feita todos os dias. Eu clico bastante, “sem pena” e o meu consumo de espaço em disco em 2025 com a Canon R6 Mark II (24 megapixels) foi: 

  • Expedição Pantanal (vida selvagem, 9 dias): 265 GB
  • Expedição Amazônia (vida selvagem e paisagem, 7 dias): 272 GB
  • Expedição Patagônia (paisagem, 7 dias): 76 GB no grupo 1 (que foi basicamente paisagem) e 244 GB no grupo 2 (quando, além das paisagens, fotografamos um puma e outros bichos)
  • Parque das Emas (paisagem e vida selvagem, 6 dias): 196 GB
  • Raso da Catarina (astrofotografia e documental, 5 dias): 112 GB

Como você pode ver, não cheguei nem perto de gastar 1TB em cada expedição. Como eu sempre volto em casa a cada expedição, foi bem tranquilo utilizar um HD ssd de 1 terabyte. Porém, se a sua realidade é diferente, e você vai acumular essas fotos no HD entre expedições, ou também trabalha com video, eu sugiro pensar em 2TB para cima. 
 
No final das contas, a lição é: Não deixe de fazer um backup das suas fotos DURANTE a expedição! 
 
Abraços,
Marcello 

 

SOBRE O AUTOR

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Marcello Cavalcanti
Fotógrafo e fundador da Gávea Expedições, Marcello atua há mais de duas décadas na fotografia de paisagem, natureza, astrofotografia e vida selvagem. É professor e criador de cursos online de fotografia, com mais de 3.000 alunos, e desde 2021 lidera expedições fotográficas no Brasil e no exterior, unindo curadoria de destinos e experiências imersivas. Tem cinco livros publicados e é parceiro das marcas Canon do Brasil, f-stop Gear, Vallerret e K&F Concept.

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Marcello Cavalcanti

Fotógrafo e professor de fotografia de paisagem, natureza, astrofotografia e vida selvagem. Marcello administra cursos online de fotografia por onde já passaram mais de 3.000 alunos. Desde 2021, lidera expedições fotográficas para destinos no Brasil e exterior. É parceiro de marcas como Canon do Brasil, f/stop Gear, Vallerret e K&F Concept.

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O que é a escala de Bortle?

E como ela pode influenciar no sucesso de uma expedição de astrofotografia?

Laguna Colorada, Altiplano, Bolívia: Bortle 1

Fala pessoal tudo bom! 

A astrofotografia é um dos temas-chave da Gávea Expedições, porém não é tão simples montar uma expedição dessas. A primeira coisa que precisamos ver é o quão escuro realmente é aquele céu, e se vale ir até lá para fotografá-lo à noite.

Para decidir sobre isso, uma das ferramentas objetivas que utilizamos é a escala de Bortle.  

Escala de Bortle: o que é?

A Escala de Bortle foi criada por John E. Bortle para classificar a qualidade visual do céu noturno, a partir do que um observador consegue enxergar no céu a olho nu.

A partir dessa classificação, o céu noturno em questão recebe uma numeração, de 1 a 9, sendo: 

  • Bortle 1–2 → Céus excepcionais, ideais para astrofotografia profunda; típicos de regiões extremamente isoladas, muito longe de qualquer cidade ou vilarejo.

  • Bortle 3–4 → ainda excelentes para Via Láctea e paisagem noturna; típico de regiões rurais e/ou parques nacionais, afastados de cidades pequenas. 

  • Bortle 5–6 → céu já afetado por luz artificial, exige mais técnica; típico de cidades pequenas, longe dos grandes centros, com pouca iluminação noturna

  • Bortle 7–9 → ambiente urbano, grandes limitações para céu profundo. Céu típico das cidades médias e grandes. 

Alguns critérios são utilizados para essa classificação, como: 

  1. Brilho real do fundo do céu

    Este é o fator mais importante. Quanto mais claro é o fundo do céu (mesmo sem Lua), maior é a poluição luminosa — e pior é a classe de Bortle. É esse brilho de fundo que “lava” o contraste das estrelas, da Via Láctea e das nebulosas.

  2. Estrelas visíveis a olho nu

    Outro critério central é: qual é a estrela mais fraca que ainda pode ser vista sem equipamento. Em céus de classe melhor (Bortle 1 ou 2), o número de estrelas visíveis é muito maior. Em céus urbanos (Bortle 7 a 9), apenas as estrelas mais brilhantes permanecem visíveis.

  3. Aparência da Via Láctea
    A forma como a Via Láctea aparece no céu é um dos principais indicadores na escala. A classificação observa, entre outros fatores, se ela é claramente visível e se apresenta estrutura, com contraste entre regiões claras e escuras.

  4. Presença de “domos” de luz no horizonte
    A escala também considera o quanto o horizonte está contaminado por cúpulas de luz de cidades próximas, ou faixas luminosas visíveis ao redor do observador.

Lençóis Maranhenses: mesmo classificado como Bortle 2, é possível ver um grande clarão no horizonte; ali está a cidade de Barreirinhas, que influencia diretamente na piora da qualidade do céu noturno.

Outros dois fatores são importantes para definir a visualização do céu profundo: a altitude e a umidade do local. 

Quanto maior a altitude, menor a quantidade de atmosfera acima do observador, ou seja “menos ar” para desviar e absorver a luz das estrelas, proporcionando céus mais limpos e nítidos, com maior contraste entre estrelas e céu escuro.

A umidade é ainda mais crítica que a altitude para o fotógrafo. Alta umidade aumenta o espalhamento da luz artificial, aumenta o brilho do fundo do céu, reduz contraste e piora a transparência atmosférica. O resultado disso é que um local que apareça como um ótimo Bortle 3 no mapa, pode ser na verdade um Bortle 4 ou 5 em noites mais úmidas de verão.

Por conta da alta altitude (acima dos 3.500m) e baixa umidade – além é claro, de estarem totalmente isolados de cidades – , que locais como o deserto do Atacama no Chile, e a região do Salar de Uyuni na Bolívia, são adorados por astrofotógrafos. Em 2026 inclusive, vamos fazer uma expedição de fotografia de paisagem E astrofotografia para a região de Salta, na Argentina, “vizinha” desses dois desertos citados.

Céu classificado como Bortle 2, nas imediações de Cafayate, no norte da Argentina: certamente um dos melhores céus noturnos daquele país.

Astrofotografia no Brasil

O Brasil tem muitas regiões extremamente escuras, principalmente no Centro-Oeste, que tem poucas cidades e muitas áreas de Cerrado e também isoladas por enormes fazendas de monocultura, porém nossas terras não tem tanta altitude. Já a umidade se concentra bastante nas regiões de floresta e costeiras, deixando o Cerrado, a Caatinga e o Pantanal como as mais secas. 

A Caatinga reserva um lugar especial, o céu mais limpo do Brasil. Trata-se do Raso da Catarina, local remoto no sertão baiano, para onde fomos em 2025 em uma expedição fotográfica inédita, e voltaremos em 2026. Este céu é extremamente limpo classificado entre Bortle 2 e 1, ou seja no topo da escala. Basta dizer que o Raso da Catarina é um dos locais de menor índice pluviométrico do Brasil.

O incrível céu do Raso da Catarina, que pode ser classificado como Bortle 2 ou 1, dependendo da localidade.

Como saber os melhores lugares para astrofotografia? 

Existem alguns aplicativos para ver a Escala de Bortle aplicada no mapa, como o LightPollution Map, que tem uma versão web: https://www.lightpollutionmap.info/

Esse mapa tem uma navegação intuitiva, e ao dar zoom e clicar em qualquer local do planeta, ele indica qual é a escala de Bortle ali. Mesmo sem clicar, visualmente já dá para entender que quanto mais intensa a cor, mais luz há naquela região. Repare que as cores coincidem com as regiões mais populosas, e por consequência, com céu de baixa qualidade para astrofotografia. Já as áreas escuras no mapa são automaticamente classificadas como Bortle 1, pois são afastadas/isoladas dos grandes centros.

Muita gente planeja uma expedição de astrofotografia olhando apenas a fase da Lua e a previsão do tempo, mas esquece que a PL (poluição luminosa) das cidades é um fator determinante para o sucesso ou fracasso de uma empreitada fotográfica como essa. 

Em expedições de astrofotografia, o céu é o principal equipamento, e a escala de Bortle é a forma mais rápida de saber se ele realmente vai jogar a seu favor. 

SOBRE O AUTOR

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Marcello Cavalcanti
Fotógrafo e fundador da Gávea Expedições, Marcello atua há mais de duas décadas na fotografia de paisagem, natureza, astrofotografia e vida selvagem. É professor e criador de cursos online de fotografia, com mais de 3.000 alunos, e desde 2021 lidera expedições fotográficas no Brasil e no exterior, unindo curadoria de destinos e experiências imersivas. Tem cinco livros publicados e é parceiro das marcas Canon do Brasil, f-stop Gear, Vallerret e K&F Concept.

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Marcello Cavalcanti

Fotógrafo e professor de fotografia de paisagem, natureza, astrofotografia e vida selvagem. Marcello administra cursos online de fotografia por onde já passaram mais de 3.000 alunos. Desde 2021, lidera expedições fotográficas para destinos no Brasil e exterior. É parceiro de marcas como Canon do Brasil, f/stop Gear, Vallerret e K&F Concept.

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Como foi: Cruzeiro Pantaneiro 2025

Em 2025, fizemos pela primeira vez uma variação no nosso tradicional roteiro do Pantanal, com o Cruzeiro Pantaneiro.

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Como foi: Cruzeiro Pantaneiro 2025 https://gaveaexpedicoes.com.br/expedicoes-realizadas/cruzeiro-pantaneiro-2025/ Mon, 20 Oct 2025 16:50:00 +0000 https://gaveaexpedicoes.com.br/?p=3658

Expedição Cruzeiro Pantaneiro 2025

Relato de viagem

Em 2025, fizemos pela primeira vez uma variação no nosso tradicional roteiro do Pantanal, com o Cruzeiro Pantaneiro.

Ao invés de ficarmos baseados no Porto Jofre, dessa vez iniciamos a jornada fotográfica por lá, fotografando as onças-pintadas do PArque Estadual Encontro das Águas, mas depois partimos em um incrível cruzeiro, com o nosso próprio barco-hotel, navegando pelas águas do Rio São Lourenço em direção à Serra do Amolar, um dos lugares mais intocados e (ainda) pouco conhecidos do Pantanal. Tivemos todo o barco exclusivamente para o nosso grupo, e fomos acompanhados pelas meninas da produtora audiovisual BeAware Collective, que estavam gravando um documentário sobre a Serra do Amolar.

A expedição seguiu por dias nesse ritmo, observando a riquíssima fauna do Pantanal e também as paisagens que se descortinaram ao longo do trajeto, como a morraria da Serra do Amolar – um tanto quanto “cinzas” no dia que passamos por lá, o que rendeu fotos dramáticas em preto-e-branco – além dos alagados, grandes lagoas, pântanos e um sem fim de vegetação pantaneira. Flagramos todo tipo de espécies típicas do Pantanal além da onça, como a águia-pescadora, ninhos de tuiuiú, famílias de bugio, e registramos inclusive a rara “dança do acasalamento” dos jacarés-do-pantanal, quando o macho treme o corpo para provocar uma vibração na água. 

Terminamos o cruzeiro em Porto Morrinhos, próximo a Cáceres, com muitas fotos e um grupo extremamente feliz e satisfeito por mais essa jornada fotográfica inédita. Deixo nosso agradecimento ao grupo especial de fotógrafos que topou essa aventura (que certamente repetiremos!) e também a toda equipe do barco-hotel, que nos deixou absolutamente confortáveis e a vontade durante todo o trajeto. Obrigado e até a próxima! 

Veja abaixo algumas fotos que produzimos por lá! 

Fotos

Quer conhecer e fotografar o Pantanal com a Gávea Expedições? Entre em contato conosco para conhecer a nossa programação!

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Como foi: Raso da Catarina 2025 https://gaveaexpedicoes.com.br/expedicoes-realizadas/raso-da-catarina-2025-2/ Mon, 22 Sep 2025 16:49:34 +0000 https://gaveaexpedicoes.com.br/?p=3656

Expedição Raso da Catarina 2025

Relato de viagem

Em agosto de 2025 fizemos a primeira edição da expedição Raso da Catarina, uma remota região no sertão baiano, um dos lugares mais secos e desconhecidos do Brasil, e portanto um dos melhores para visualização e fotografia do céu noturno. Elaboramos essa expedição inédita com o astrônomo e astrofotógrafo Igor Borgo, que desbravou o local anos antes para conhecer e registrar aquele céu espetacular. 

Nossa expedição tinha como foco principal a astrofotografia, porém adicionamos algumas experiências transformadoras no roteiro. Pudemos fotografar as raríssimas araras-azuis-de-lear, endêmicas do Raso da Catarina e que vivem em grupos nas encostas dos paredões rochosos da Caatinga, e também tivemos a oportunidade de conhecer um grupo da etnia Pankararé, que performaram para os nossos fotógrafos o seu ritual sagrado, conhecido como “Praiá” quando os participantes vestem um traje típico e dançam ao cair da noite entoando cantos próprios. As fotos abaixo não nos deixam mentir em como essas experiências foram sensacionais! 

Sobre o céu do Raso da Catarina, podemos dizer que é um dos mais límpidos do Brasil, e oscila entre Bortle 1 e 2 na escala de Bortle, a depender da região do Raso. Isso significa que é possível ver, a olho nu, infinitas estrelas, constelações, nebulosas, galáxias, além da Via Láctea, que apareceu todas as noites para o grupo, rasgando o firmamento e proporcionando ótimas fotos. Pudemos também praticar muito com o lightpainting, iluminando artificiamente os paredões dos cânions e árvores, para criar fotografias fenomenais, juntando o visual da caatinga com o céu estrelado. 

Deixamos aqui o nosso muito obrigado ao amigo Igor Borgo por ter organizado essa expedição conosco, e também a todos os participantes que toparam essa aventura inédita até então! Também precisamos agradecer a todo o pessoal do receptivo no Raso da Catarina que nos tratou tão bem, e aos Pankararé que nos deram um lindo espetáculo! 

Fotos

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Cheguei no Brasil. Vão taxar minha câmera? https://gaveaexpedicoes.com.br/blog/cheguei-no-brasil-vao-taxar-minha-camera/ Sun, 13 Jul 2025 02:47:00 +0000 https://gaveaexpedicoes.com.br/?p=4788

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Cheguei no Brasil. Vão taxar minha câmera?

Entenda, definitivamente, como funciona a lei brasileira.

E aí? declarar ou não declarar? Eis a questão!

Fala pessoal tudo bom! 

Essa é uma das perguntas que a gente mais escuta antes de uma viagem internacional: “Marcello, e se a Receita implicar com minha câmera quando eu voltar? e as minhas lentes? vou fazer a expedição com 2 câmeras, e aí?”

Respira. Na imensa maioria dos casos, não há problema nenhum.

Mas vamos explicar direito como funciona.

1) O que a Receita Federal considera bagagem?

De acordo com a Receita Federal do Brasil, tudo aquilo que você leva ou traz em função da viagem pode ser considerado bagagem. Isso inclui bens de uso pessoal — e aí entram os equipamentos fotográficos que você efetivamente utilizou durante a expedição. Ou seja: se você saiu do Brasil com sua câmera para fotografar aurora, onça, águia ou paisagens andinas… ela continua sendo sua câmera na volta.

Não é importação.
Não é compra no exterior.
É seu instrumento de trabalho.

2) Equipamento fotográfico é considerado uso pessoal?

Sim, desde 2010, especialmente quando está:

  •  usado
  • sem caixa
  • compatível com o tipo de viagem
  • em quantidade coerente

Uma câmera no pescoço, duas ou três lentes na mochila, um tripé, drone… tudo isso é absolutamente comum para um fotógrafo em expedição.

O que pode gerar problema?

  • Equipamentos novos, lacrados

  • Várias unidades iguais

  • Itens claramente comprados fora

  • Quantidade incompatível com uso pessoal

A Receita pode entender que se trata de compra no exterior e aplicar tributação (50% sobre o valor excedente da cota de US$ 1.000,00).

3) E essa cota de US$ 1.000?

A cota de isenção para compras no exterior (via aérea) é de US$ 1.000.

Mas atenção:
Essa regra vale apenas para bens adquiridos fora do país. Ela não se aplica ao equipamento que já era seu antes da viagem, independentemente de quando ele foi comprado, nem câmeras compradas no Brasil. Uma câmera e uma lente (compradas no exterior, em alguma viagem) são considerados itens de uso pessoal, assim como livros, roupas, um celular e um relógio de pulso por exemplo. Assim está, no Artigo 2º, § 1º, da Instrução Normativa 1059/2010, que você pode ler na íntegra nesse link. 

Outra informação relevante: na Instrução Normativa citada não há qualquer menção ao tipo de câmera, se profissional ou amadora, se custa US$500 ou US$5.000. Portanto teoricamente o fiscal não pode julgar o preço da sua câmera para tentar incluí-la na cota de US$ 1.000, uma vez que a câmera é considerada, desde 2010, item de uso pessoal.

Agora, caso você esteja fazendo uma expedição fotográfica com mais de uma câmera e/ou várias lentes, o entendimento sobre todos os itens serem bens de uso pessoal fica, sim, a cargo do fiscal da Receita Federal no aeroporto, Porém, normalmente, você poderá argumentar apresentando alguns documentos (citados na checklist abaixo) e inclusive mostrando suas fotos da expedição, fotos em grupo, voucher de viagem, etc, para provar que todo aquele equipamento foi sim de uso pessoal e se fez necessário na viagem em questão.

Lembre-se que o Artigo 2º,  § 1º da Instrução Normativa faz uma menção ao inciso VII, que diz: “bens de caráter manifestamente pessoal: aqueles que o viajante possa necessitar para uso próprio, considerando as circunstâncias da viagem e a sua condição física, bem como os bens portáteis destinados a atividades profissionais a serem executadas durante a viagem, excluídos máquinas, aparelhos e outros objetos que requeiram alguma instalação para seu uso e máquinas filmadoras e computadores pessoais; e”

Traduzindo o inciso: bens que o viajante possa necessitar para uso próprio e que tenha a ver com o tema da viagem são considerados itens pessoais. Isso é exatamente o que ocorre em uma expedição fotográfica. No inciso ele cita ainda “excluídos máquinas” mas nesse caso trata-se de máquinas de natureza genérica, como equipamentos eletro/eletrônicos, e não máquinas fotográficas.

Então posso viajar tranquilo?

Sim — desde que você siga algumas boas práticas simples. Fotógrafos profissionais viajam o tempo todo com equipamentos de alto valor. Isso é rotina para a Receita. O que gera retenção normalmente não é o equipamento em si — é a suspeita de que ele foi comprado no exterior e não declarado.

E aqui cabe um depoimento pessoal. Eu já fiz mais de 20 viagens para fotografar (fora do Brasil), sejam expedições ou viagens solo, e normalmente levo 2 câmeras, 3 ou 4 lentes, 1 gopro, 1 laptop e todos os acessórios que acompanham essa parafernália. Posso garantir que JAMAIS tive qualquer problema no retorno ao Brasil. Se muito, quando pediram para abrir a mochila, mostrei o equipamento e quando comecei a dizer que era fotógrafo, e que vinha de tal lugar, o funcionário já entendeu e me liberou. Só o aspecto de usado do equipamento, dentro da mochila, já entrega que não estou importando nada, ou muito menos comprando para revenda.

Checklist Gávea Expedições — como evitar qualquer dor de cabeça

Antes de viajar:

  • Leve consigo as notas fiscais (digitais já ajudam, guardadas no celular, ou em uma nuvem pessoal como o Google Drive ou o Dropbox)
  • Tenha uma cópia da apólice de seguros do seu equipamento, o que também prova que ele já era seu antes da viagem.
  • Faça fotos do equipamento antes de embarcar, com o celular, que registra oficialmente data e hora das fotos;
  • Evite levar/usar embalagens originais;
  • Se quiser segurança extra, registre seus bens na e-DBV (Declaração Eletrônica de Bens do Viajante)


Na volta ao Brasil:

  • Se não comprou nada relevante fora, pode usar o canal “Nada a Declarar,” e, mesmo que seja intimado a abrir as malas, apresente tranquilamente seus documentos citados para provar que o equipamento já era seu.
  • Se comprou equipamento novo, declare — a multa por omissão é muito maior que o imposto!


Resumindo: seu equipamento fotográfico usado não é importação.
É ferramenta de trabalho.
É bagagem.

A Receita Federal do Brasil não está interessada em penalizar fotógrafos que viajam com seu próprio material — o foco é mercadoria adquirida no exterior sem declaração.

Viajar preparado é viajar tranquilo!

Abraços,
Marcello

 

SOBRE O AUTOR

foto-perfil-marcello

Marcello Cavalcanti
Fotógrafo e fundador da Gávea Expedições, Marcello atua há mais de duas décadas na fotografia de paisagem, natureza, astrofotografia e vida selvagem. É professor e criador de cursos online de fotografia, com mais de 3.000 alunos, e desde 2021 lidera expedições fotográficas no Brasil e no exterior, unindo curadoria de destinos e experiências imersivas. Tem cinco livros publicados e é parceiro das marcas Canon do Brasil, f-stop Gear, Vallerret e K&F Concept.

foto-perfil-marcello

Marcello Cavalcanti

Fotógrafo e professor de fotografia de paisagem, natureza, astrofotografia e vida selvagem. Marcello administra cursos online de fotografia por onde já passaram mais de 3.000 alunos. Desde 2021, lidera expedições fotográficas para destinos no Brasil e exterior. É parceiro de marcas como Canon do Brasil, f/stop Gear, Vallerret e K&F Concept.

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Como foi: Amazônia 2025 https://gaveaexpedicoes.com.br/expedicoes-realizadas/amazonia-2025/ Tue, 01 Jul 2025 16:49:18 +0000 https://gaveaexpedicoes.com.br/?p=3654

Expedição Amazônia - Mamirauá 2025

Relato de viagem

Aconteceu em julho de 2025 nossa 1º expedição fotográfica na Reserva Mamirauá, no coração da Amazônia. Criada para proteger um dos ecossistemas mais ricos e sensíveis da Amazônia, Mamirauá encontrou seu equilíbrio ao colocar as comunidades ribeirinhas no centro da conservação. Aqui, a floresta em pé, os lagos preservados e a fauna protegida caminham junto com o manejo sustentável do pescado, da madeira e de outros recursos naturais.

O resultado é simples e poderoso: a natureza se recupera, a vida das pessoas melhora — e a floresta continua existindo, não como paisagem distante, mas como parte do cotidiano de quem a chama de casa. E por falar em casa, nossa expedição fotográfica passou por uma dessas comunidades para documentar seu modo simples de vida, com imagens poderosas de como o Brasil é diverso. 

Antes de chegar à Reserva, porém, passamos um dia em Manaus, onde pudemos fazer uma photowalk pela cidade e também pelo Mercado Central, finalizando o dia no MUSA – Museu da Amazônia. Já em Mamirauá, nos hospedamos no Uakari Lodge, um flutuante com bastante conforto, e dali fizemos incursões diárias de barco ou caiaque rumo aos igapós – a floresta alagada. O visual impressiona pela altura das árvores, vasta biodiversidade – jacarés-açú, preguiças, macacos, botos, serpentes, iguanas, ciganas, araras e papagaios, entre outros – e também pelo forte calor durante o dia, que provocava tempestades impressionantes ao longe à tarde. Tudo era tema para os nossos fotógrafos que puderam aproveitar ao máximo essa expedição inédita para nós. 

Para organizar as ações do grupo conosco, tivemos a presença ilustre do fotógrafo carioca Vitor Marigo, que mantém uma íntima relação com a reserva; seu pai, o fotógrafo conservacionista Luis Claudio Marigo (1950-2014) foi um dos responsáveis pela criação dessa reserva, em parceria com o biólogo José Marcio Ayres (1954-2003). 

Um de nossos objetivos principais com essa expedição era tentar ver e fotografar o mítico primata Uacari-branco (Cacajao calvus calvus), um macaco de visual muito diferente e bem arisco. Foi díficil, mas conseguimos algumas fotografias desse animal raro que só pode ser visto nessa região.

Muito obrigado a todos os participantes dessa incrível jornada que certamente marcou a história da Gávea Expedições, e também a todos os funcionários e guias do Uakari Lodge que trataram de forma impecável o nosso grupo. Até breve! 

Fotos

Quer conhecer e fotografar a Amazônia com a Gávea Expedições? Entre em contato conosco para conhecer a nossa programação!

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Como foi: Parque das Emas 2025 https://gaveaexpedicoes.com.br/expedicoes-realizadas/parque-das-emas-2025/ Wed, 07 May 2025 16:43:54 +0000 https://gaveaexpedicoes.com.br/?p=3648

Expedição Parque das Emas 2025

Relato de viagem

Aconteceu em junho/2025 nossa 1º expedição fotográfica no Parque Nacional das Emas, no estado do Goiás. O objetivo principal dessa expedição era fotografar o elusivo lobo-guará, espécie-símbolo do bioma cerrado, em seu ambiente natural.

Foram 5 dias imersos nessa que é a maior unidade de conservação do cerrado no país, com 133 mil hectares, e vimos não só o lobo-guará mas dezenas de outras espécies locais, entre mamíferos e aves – muitas delas endêmicas.

Além disso, fotografamos paisagens belíssimas e típicas do cerrado como manhãs frias com forte névoa entre as árvores, descampados repletos de cupinzeiros e tempestades de chuva e raios impressionantes ao largo do horizonte.

Nosso grupo foi de 11 participantes, fotógrafos e fotógrafas de todas as idades e níveis técnicos, alguns mais avançados e outros mais iniciantes, mas todos puderam aprender bastante com as nossas sessões práticas durante a expedição, treinando técnicas de foco e velocidade para fotografia de vida selvagem e também composição e criatividade para fotografia de paisagem.

No último dia de viagem, uma surpresa. Encontramos um filhote de cachorro doméstico abandonado no Parque – um crime federal, pois é proibido o acesso de cães a parques nacionais no Brasil – e realizamos o resgate do mesmo, levando-o em nosso carro-safari de volta a pousada, e no dia seguinte em nossa van privada até Campo Grande (MS) para que fosse devidamente adotado. 

Veja abaixo algumas fotos que produzimos por lá! 

Fotos

Próxima expedição ao Parque das Emas

É bem provável que façamos uma próxima expedição ao Parque Nacional das Emas, dessa vez para ver também a famosa bioluminescência dos cupinzeiros! 

Anima ir conosco nessa próxima aventura? Entre em contato e reserve sua vaga!

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Como foi: Patagônia 2025 (2 turmas) https://gaveaexpedicoes.com.br/expedicoes-realizadas/patagonia-2025/ Wed, 30 Apr 2025 16:41:18 +0000 https://gaveaexpedicoes.com.br/?p=3642

Expedição Patagônia 2025 - 2 turmas

Relato de viagem

Em 2025 fechamos duas expedições fotográficas para a Patagônia, mostrando a força do nosso trabalho! A expedição foi idealizada por Marcello Cavalcanti, em parceria com a Pixel Expedições.

Nessas expedições, iniciamos pela cidade de El Calafate, na Argentina, onde pudemos visitar e fotografar o Glaciar Perito Moreno, uma das maiores reservas de água doce do planeta. No dia seguinte, viajamos até a fronteira com o Chile, e cruzamos em direção ao Parque Nacional Torres del Paine, um dos lugares mais desejados pelos fotógrafos de paisagem. A ideia aqui é explorar ao máximo as possibilidades fotográficas do parque, desde amanheceres gelados passando por roteiros entre as montanhas e fins de tarde espetaculares. Conhecemos mirantes como o da cachoeira Salto Grande, Mirador Lago Nordenskjold, Mirador Explora, Laguna Amarga, Laguna Azul, Cascada Rio Paine, além de subir ao Mirador Condor e também o já clássico – e secreto – Mirador Cavalcanti. 

Nossos dois grupos pegaram climas muito diferentes, mas que renderam ótimas fotos. O primeiro grupo teve dias mais azuis e pores do sol mais coloridos; já o segundo grupo teve dias mais fechados, porém uma noite incrível de astrofotografia em pleno parque e um encontro inesquecível com um puma, que passou a poucos metros de nós. Assim é a Patagônia: sempre imprevisível, mas igualmente bela em qualquer situação. 

Deixamos aqui o nosso muito obrigado a todos os participantes dos dois grupos, que nos encheram de alegria pela confiança no nosso trabalho em nossa última parceria com a Pixel Expedições. E também, agradecer a toda equipe de guias e hoteis que nos atendeu na Patagônia, sempre com um carinho fora do comum. Até a próxima! 

 

Fotos

Veja abaixo algumas das fotos produzidas nessas expedições.

Quer conhecer e fotografar a Patagônia com a Gávea Expedições? Entre em contato conosco para conhecer a nossa programação!

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Como foi: Mico-leão-dourado (2 edições) https://gaveaexpedicoes.com.br/expedicoes-realizadas/mico-leao-dourado-2025/ Wed, 12 Mar 2025 16:41:50 +0000 https://gaveaexpedicoes.com.br/?p=3646

Workshop Mico-leão-dourado 2024-2025

Relato do workshop

Desde 2024, idealizamos um workshop de fotografia de vida selvagem no Parque Ecológico do Mico-leão-dourado, em Silva Jardim, no interior do estado do Rio de Janeiro. A proposta é conduzir os participantes a situações reais de fotografia de fauna na Mata Atlântica — um dos biomas mais desafiadores para se fotografar, tanto pela densidade da vegetação quanto pelo forte contraste entre luz e sombra no interior da floresta.

As duas edições realizadas até agora foram um sucesso absoluto. Com o apoio da equipe de guias e pesquisadores da reserva, conseguimos localizar grupos de micos-leões-dourados em um dos fragmentos mais bem preservados da Mata Atlântica da região. Após um longo e emocionante momento de observação e fotografia, com os micos saltando entre os galhos ao redor do grupo, seguimos para o centro de visitantes, onde acontece uma aula de educação ambiental e conservação. Ali, os participantes conhecem de perto as subespécies de micos-leões existentes no Brasil e também a história da luta para salvar a espécie, que na década de 1980 chegou a ter menos de 200 indivíduos na natureza, à beira da extinção. Hoje, mais de 40 anos após o início do trabalho da Associação Mico-Leão-Dourado, existem pouco mais de 4.500 animais vivendo livres nessa região — a única área do mundo onde é possível observar a espécie em seu ambiente natural. Um número que ainda reforça o quanto esse esforço precisa ser permanente, cuidadoso e resiliente.

A reserva guarda ainda outros segredos: a existência de uma incrível biodiversidade típica de Mata-atlântica, com preguiças, macacos-prego, tucanos, serpentes e espécies de aves como o tangará-rajado, o cambada-de-chaves e o cabeça-encarnada, que são típicos dessa mata de baixada.

Deixamos aqui nosso agradecimento a todos os fotógrafos que já participaram conosco dessa experiência tão especial, e um agradecimento ainda mais carinhoso a toda a equipe da Associação Mico-Leão-Dourado, por viabilizar um workshop que é tão importante para a Gávea Expedições. Seguimos com novas edições em breve.

Fotos

Quer conhecer e fotografar o Parque Ecológico Mico-leão-dourado com a Gávea Expedições? Entre em contato conosco para conhecer a nossa programação!

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O que levar em uma expedição fotográfica? https://gaveaexpedicoes.com.br/blog/o-que-levar-em-uma-expedicao-fotografica/ Sun, 16 Feb 2025 00:39:00 +0000 https://gaveaexpedicoes.com.br/?p=4398

BLOG

O que levar em uma expedição fotográfica?

Checklist de equipamentos essenciais

Fala pessoal tudo bom! 

Quando falamos em expedição fotográfica, não estamos falando de um passeio curto, com carro por perto e loja a poucos minutos de distância.
Estamos falando de dias em campo, muitas vezes em regiões remotas, com clima imprevisível, longas caminhadas, madrugadas acordando cedo — ou varando a noite — e, principalmente, janelas raras de luz e de cena.

Por isso, escolher bem o equipamento é parte fundamental do sucesso da viagem.

Abaixo, eu reuni os pontos que realmente fazem diferença em expedições de fotografia de paisagem, natureza, vida selvagem e astrofotografia.

1. Câmera: confiabilidade vem antes de ficha técnica

Leve um corpo de câmera que você conheça profundamente e confie.

Em uma expedição, muitas cenas acontecem rápido, e mesmo com a nossa orientação em campo, é fundamental que você saiba minimamente operar o seu equipamento para resolver a foto naquele instante, da melhor forma possível.

É muito melhor viajar com uma câmera mais simples, porém que você saiba operar, do que uma câmera nova, profissional, que você ainda não tenha intimidade. No final de uma expedição fotográfica, queremos que todos saiam com excelentes fotos, idealizadas e executadas por vocês, por isso ter um equipamento que você saiba usar fará toda diferença. 

Se você estiver pensando em comprar uma câmera (mirrorless ou DSLR) para começar a se aventurar em expedições fotográficas, lembre-se que essas ocorrem em ambientes externos, sujeitos a chuva, sol, neve, lama, vento, areia, etc. Por isso, se for possível ($) pense em uma câmera que tenha o corpo selado, ou seja, protegida contra intempéries. Alguns modelos que tem o corpo selado são a Canon RP, R8, R6, R5 e R3, para citar algumas da linha mirrorless, e também as mais antigas 7D, 80D, 90D, 6D, 5D e 1Dx, da linha DSLR. É importante ressaltar que não é impossível fazer uma expedição fotográfica com uma câmera de entrada (é na verdade a mais comum), porém trata-se de uma câmera que não suporta uma chuva mesmo que rápida. 

DICA DE OURO
Se você tiver a possibilidade, levar um segundo corpo não é luxo — é segurança. Em campo, a câmera pode falhar, quebrar, cair no chão, etc, e ter uma câmera de reserva vai resolver essa questão. Além disso, uma segunda câmera na mochila serve bem em algumas situações como executar timelapses em cenas de paisagem ou astrofotografia (enquanto você não para de produzir imagens com a câmera principal)  ou mesmo estar a postos com uma segunda lente, mais aberta, enquanto você fotografa vida selvagem com uma teleobjetiva e terá a opção de fazer fotos mais abertas com a outra câmera sem perder tempo trocando lentes.  

2. Lentes: menos peso, mais eficiência

Esse é um dos pontos onde mais vejo erros. Em uma expedição fotográfica, carregar muitas lentes quase nunca se traduz em melhores fotos. Na prática, você acaba usando poucas — e carregando peso à toa.

Eu costumo dizer que apenas 3 lentes fazem todo o serviço, independente do tipo de expedição: 

  • Uma boa grande angular zoom (Ex: 16-35mm, 17-40mm, 10-20mm, etc)

  • Uma boa médio-alcance zoom (24-70mm, 24-105mm, 18-55mm, etc)

  • Uma boa teleobjetiva zoom (70-300mm, 100-400mm, 150-600mm, etc)

Dessa forma, você garante um range focal desde uma grande angular com 15, 16mm, até uma supertele com 400 ou 500mm. Isso é mais do que suficiente para registrar praticamente qualquer cena em expedições fotográficas de vida selvagem, paisagem, astrofotografia e natureza. 

Algumas situações específicas podem pedir lentes específicas, a saber: 

Astrofotografia
Uma boa grande-angular clara (f/2.8 ou mais aberta) vai resolver 99% das suas fotos, mas pense também em uma médio alcance clara, como uma 70-200 f/2.8, ou uma 100mm 2.8, que são lentes ótimas para retrato mas que funcionam muito bem para recortar partes do céu noturno e com alta capacidade de captação de luz, graças ao diafragma bem aberto.

Vida selvagem
Uma 100-400 ou 150-600 vai te dar o conforto suficiente para quase todas as fotos, porém convém levar também um teleconverter 1.4x para aumentar ainda mais a capacidade de aproximação da sua lente. É especialmente útil em cenas com pássaros pequenos (mata atlântica por exemplo), ou então animais muito distantes, como na África. 

Natureza 
Uma lente super útil em workshops e expedições fotográfica com forte viés de natureza é a macro. Com essa lente você capta os menore detalhes de cascas de árvores, insetos, folhas e afins, ampliando o seu repertório visual captado na viagem.

Documental
Uma expedição fotográfica documental te apresentará muitas cenas com pessoas, e uma lente curta como a 24-70mm ou até mesmo a 24-105mm pode causar desconforto na pessoa a ser fotografada. Para esse tipo de expedição considere uma 70-200 ou similar, para não precisar ficar tão perto da pessoa e ganhar opções de distância focal, podendo fazer retratos mais fechados ou mais abertos sem precisar trocar de lente. 

DICA DE OURO
Converse com o líder da expedição fotográfica para entender as situações que poderão aparecer, e leve apenas as lentes que acredita que vá usar. Lembre-se, é você que vai carregar essas lentes na mochila, todos os dias. 

3. Tripé: fundamental em qualquer expedição

Entenda: Tripés não são acessórios — são ferramentas de precisão que estabilizam a sua câmera e ampliam as possibilidades criativas. Para paisagem e, principalmente, para astrofotografia, o tripé é parte do sistema de criação da sua foto. Sem ele, muitas fotos simplesmente não vão acontecer, portanto organize-se para levar um bom tripé.

Priorize:

  • Estabilidade real (mais importante do que ser extremamente leve)
  • Travas confiáveis
  • Cabeça firme

É essencial que o tripé seja fácil de operar no escuro, no frio ou com luvas. Se o seu tripé é novo, e você usa pouco, pratique bastante com ele antes da viagem. Treine mesmo, abra, desmonte, monte, use na prática, para entender seu funcionamento. 

DICA DE OURO
Normalmente, nem as companhias aéreas nem a segurança do aeroporto permite que o tripé vá na mala de mão, por isso tenha em mente que muito provavelmente você vai precisar colocar o tripé na mala despachada. Consulte o site da companhia aérea que você vai viajar, para saber as regras atualizadas.

4. Filtros: o controle da luz

Fotógrafos de paisagem não vivem sem seus filtros. São eles os responsáveis pelo controle, o ajuste fino da luz natural, para que as fotos saiam realmente boas para uma futura edição. Fotografar paisagens sem filtros é como entrar na trilha sem bota. Porém são dezenas de opções de filtros, por isso vou resumir aqui os mais interessantes para uma expedição fotográfica: 

  • Polarizador – fundamental para dias de luz e sol forte. Indispensável.
  • ND fixo 10 stops – Versatilidade é o nome dele. Com esse único filtro você consegue borrar cachoeiras, congelar mares e rios, borrar nuvens em movimento, “apagar” pessoas de uma praia cheia de turistas, e por aí vai.
  • ND graduado – Importantíssimo para equilibrar a luz de uma cena de paisagem. Eu diria que não dá para viver sem um desses. Existem vários modelos, e eu acredito que o mais versátil (pau pra toda obra) seria o GND8 soft (3 stops). 

É claro que você pode levar diversos outros filtros, como variações do filtro ND graduado, mas para economizar peso e espaço, com esse três você vai resolver praticamente todas as cenas de paisagem. Lembre-se que, para utilizar os filtros ND quadrados, é preciso levar também o adaptador de filtros, que se fixa na frente da lente.

DICA DE OURO
Algumas marcas, como a K&F Concept por exemplo, tem kits de filtros magnéticos, incluindo esses três modelos citados acima. Esses kits são interessantes para expedições onde você precisa MESMO economizar peso e espaço (se vai fazer trilhas longas por exemplo) pois são muito pequenos e de uso muito simples, retirando e colocando os filtros com um imã.

5. Cartões de memória: a estratégia de armazenamento

O cartão de memória é um dos itens mais frágeis dentro da mochila de um fotógrafo. Pequeno, fácil de perder e de deixar cair no chão, é facilmente danificável e corruptível. Por isso, evite ao máximo levar apenas 1 cartão, mesmo que tenha enorme capacidade. 

O mais seguro é trabalhar com:

  • Vários cartões menores

  • Organizados por dia ou por saída fotográfica

Assim, você reduz o risco de perder todo o material de uma expedição por causa de um único problema.

Eu por exemplo, levo de 4 a 5 cartões de 128GB  por expedição. Acabo usando normalmente uns 3 cartões, e os outros dois vão mais por segurança mesmo. 

DICA DE OURO
Observe no site do fabricante do cartão de memória qual é a velocidade de gravação dele. Essa informação é fundamental para fotógrafos de vida selvagem por exemplo que precisam de um cartão rápido para trabalhar com velocidade esvaziando o buffer da câmera com agilidade, deixando ela livre para tantos cliques rápidos. Ah, e se a sua câmera utiliza o modelo CF Express, tente comprar pelo menos 1 desses cartões (eu sei que são caros!) pois eles “desbloqueiam” funções avançadas da câmera, como o máximo de frames por segundo (burst), gravações de video em alto frame rate, etc. 

6. HD: backup das fotos durante a expedição

Não confie apenas nos cartões. O ideal é ter uma rotina simples de backup, utilizando:

  • SSD ou HD portátil

  • Organização mínima por pastas ou datas

Mesmo um backup básico já reduz drasticamente o risco de perder um trabalho inteiro.

Em expedições longas, isso faz toda a diferença.

DICA DE OURO
Eu costumo levar o meu laptop para baixar as fotos em um HD externo SSD. Prefiro assim pois eu vejo as fotos na tela do laptop, edito, consigo observar erros para corrigir no dia seguinte etc. É uma rotina que funciona para mim. Porém outras pessoas não gostam do peso do laptop em uma expedição fotográfica, e utilizam adaptadores (fácil de achar online) que permitem que se baixe as fotos do cartão para um HD, utilizando o telefone celular como interface para essa operação. 

7. Baterias e energia: um dos maiores gargalos em campo

O mesmo que falamos para cartões de memória vale para baterias. É fundamental ter mais de uma bateria, eu diria que idealmente 3 seria ótimo. Porque? Em muitas expedições, energia é um recurso limitado. Passamos muitas horas em campo, fotografando, e só voltamos ao hotel no almoço, ou as vezes até de noite, e apenas nesse momento você poderá carregar suas baterias. Por isso evite ficar sem energia durante o dia! Nem sempre é possível usar carregadores no barco ou no carro que estamos circulando, pense nisso. 

Outra informação fundamental é o frio (que nós brasileiros não estamos acostumados): temperaturas realmente baixas (5ºC ou menos) costumam drenar as baterias, ou seja aquela bateria que estava com 100% de carga na sua mochila, quando você finalmente pega ela para usar, pode estar apresentando apenas 20% da capacidade. Por isso leve mais baterias, sempre que for fazer uma expedição fotográfica para destinos frios (Islândia, Patagônia, Noruega, Canadá, EUA, etc)! 

DICA DE OURO
Tenha na mochila pelo menos 1 adaptador universal de tomadas (fácil de comprar na internet) para plugar seu carregador em qualquer situação! O meu inclusive tem entradas USB e USB-C do lado, assim eu consigo carregar o celular e as baterias ao mesmo tempo. 

8. Itens extras que fazem a diferença

Eu costumo viajar com vários itens extras, que me ajudam em campo. São eles: 

  • Intervalômetro/controle remoto – mesmo a minha câmera tendo o sistema wifi que se conecta ao app da Canon no celular, em campo eu prefiro usar o bom e velho intervalômetro, para situações da longa exposição e também timelapses.
  • Lanterna de cabeça – muito útil para paisagem, em situações de nascer e por do Sol, quando fatalmente o fotógrafo fica em um ambiente escuro. É ótima para te ajudar a arrumar o equipamento sem deixar nada perdido. Ah, e priorize lanternas de cabeça que tenham a luz vermelha, são melhores para situações de astrofotografia.
  • Lens warmer/ Aquecedor de lente – item importante em expedições de astrofotografia para locais muito frios, quando o conjunto câmera + lente trabalhando à noite por horas (um timelapse, ou uma longa exposição para star trails por exemplo) pode acabar condensando os vidros da lente, pela troca de calor da câmera (quente) x o ambiente (frio). Mas lembre-se: para usar um lens warmer, ele precisa estar conectado a uma fonte de energia, como um powerbank por exemplo.
  • Bean bag O bean bag (“saco de feijão”)  é um velho conhecido dos fotógrafos de vida selvagem especialmente em safaris de carro, como na África e Índia. Trata-se de um saco com areia, maleável, para você apoiar a lente pesada na beira da janela e continuar fotografando Item importante para esse tipo de expedição, mas confira com o organizador se os guias locais fornecem o bean bag, assim você economiza peso na mala. 
  • Kit de limpeza – Kit simples, fácil de comprar online, formado por um blower (soprador manual), uma lenspen (caneta com escovinha e pincel) e um pano de microfibra. Fundamental em expedições fotográficas para locais expostos com chuva, vento e areia. Faça uma higiene do seu equipamento diariamente no hotel para garantir fotos limpas e sem manchas!
  • Capa de chuva para a câmera – pode até ser um saco plástico mais resistente; o fundamental é ter na mochila alguma capa que proteja tanto a mochila (os modelos mais legais, de marcas como f/stop Gear, LowePro, ThinkTank, etc já vem com essa capa) quanto a câmera, em caso de uma chuva ou nevasca inesperada. 

9. A mochila: seu refúgio sagrado

A mochila é um dos itens mais importantes da expedição fotográfica. Ela precisa: 

  • Levar tudo que você precisa
  • Proteger esse equipamento
  • Ser fácil de abrir e fechar
  • Ser impermeável (de preferência)
  • Ser confortável para o seu uso

Em caso de uma intempérie, ela precisa proteger tudo ali dentro. E quando aquele bicho que você estava “perseguindo” aparece de repente na trilha, você precisa conseguir sacar a câmera rapidamente. Por isso pense bem nessa mochila! Ela precisa te ajudar e não te atrapalhar. Eu recomendo a melhor mochila de fotografia do planeta, a f/stop Gear (não à toa sou embaixador da marca!), mas infelizmente não vende no Brasil. Nesse caso pesquise pelas mochilas da LowePro, da ThinkTank, ou da Shimoda. 

DICA DE OURO
A minha mochila (f/stop Gear Tilopa 50) é a mesma que uso no aeroporto, para levar o equipamento. Para que ela não viaje tão cheia/pesada, eu levo nela apenas o que não posso perder, como câmera, lentes, baterias, cartões, laptop e HD. Todo o resto (tripé, garrafinha de água, filtros, carregadores, kit de limpeza, lanternas, etc etc) eu coloco dentro da mala despachada, em uma outra bolsa menor. 

Em resumo: não existe um checklist universal de equipamento para expedição fotográfica.

O que existe é o destino; o ritmo da viagem; o tipo de acesso aos locais; o clima; e o tipo de fotografia que será priorizado. Como você pode ler nesse post, uma expedição focada em paisagem e astrofotografia exige escolhas diferentes de uma expedição voltada à vida selvagem.

Antes de montar sua mochila, responda a uma pergunta simples:

o que eu realmente vou fotografar neste destino?

Essa resposta, mais do que qualquer lista pronta, é o que define o seu equipamento ideal.

Em expedição, equipamento certo não é o mais caro — é o que te permite estar no lugar certo, na hora certa, com energia e mobilidade para fotografar.

Bora viajar?

Abraços, Marcello 

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Marcello Cavalcanti

Fotógrafo profissional e fundador da Gávea Expedições, Marcello Cavalcanti atua há mais de duas décadas na fotografia de paisagem, natureza, astrofotografia e vida selvagem.
É professor e criador de cursos online, com mais de 3.000 alunos formados, e desde 2021 lidera expedições fotográficas autorais no Brasil e no exterior, unindo técnica, curadoria de destinos e experiências imersivas em campo.
É parceiro de marcas como Canon do Brasil, f-stop Gear, Vallerret e K&F Concept.

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Marcello Cavalcanti

Fotógrafo e professor de fotografia de paisagem, natureza, astrofotografia e vida selvagem. Marcello administra cursos online de fotografia por onde já passaram mais de 3.000 alunos. Desde 2021, lidera expedições fotográficas para destinos no Brasil e exterior. É parceiro de marcas como Canon do Brasil, f/stop Gear, Vallerret e K&F Concept.

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